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sexta-feira, 9 de março de 2012

Oposição síria rejeita diálogo com Assad; Rússia não aceita texto dos EUA na ONU


Homens do Exército Livre da Síria fazem preces antes de novo combate com tropas do governo em Idlib, norte do país

O enviado especial das Nações Unidas e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, ainda nem chegou a Damasco (o que deve ocorrer neste sábado) e sua proposta de diálogo entre a oposição síria e o governo do presidente Bashar al-Assad já foi rejeitada pelos opositores. A rejeição foi comunicada por Burhan Ghalioun, presidente do Conselho Nacional Sírio, o principal grupo de oposição, em entrevista à agência de notícias AP publicada pelo jornal The Washington Post.

Segundo Ghalioun, a proposta de Annan é “sem sentido” e “irreal” uma vez que as tropas aliadas ao regime Assad continuam massacrando sua população. Ele criticou Annan pelo fato de o diplomata de Gana não ter abordado a violência por parte do regime e afirmou que uma “solução política” não terá sucesso se “não for acompanhada de pressão militar sobre o regime”.

“Esse tipo de comentário é desapontador e não dá muita esperança para o povo sírio sendo massacrado todo dia”, disse Ghalioun. “Parece que estamos vendo o mesmo filme sendo repetido de novo de de novo”. “Meu medo é que, como outros enviados internacionais antes dele, [Annan] só vai desperdiçar um mês ou dois em esforços sem sentido de mediação”, acresentou.


A oposição síria é bastante dividida, mas o CNS é cada vez mais reconhecido como um órgão de grande peso político. O governo do Reino Unido chegou a classificar a entidade como “representante legítimo” da oposição, o que ampliou a importância do CNS. No início do mês, o órgão mostrou que não vê os diálogos como uma possibilidade real na Síria e criou um escritório militar para organizar a luta armada contra as forças de Assad.

Também nesta sexta-feira, o caminho diplomático para a crise na Síria sofreu um golpe nas Nações Unidas. Mais uma vez, a Rússia rejeitou o projeto de resolução sobre a Síria que os Estados Unidos apresentaram para que fosse aprovado no Conselho de Segurança da ONU. Segundo os representantes russos, o país tomou essa decisão pois o texto era desigual. A agência EFE conta:

“Não podemos concordar com o projeto como está apresentado neste momento. O texto da resolução não é equilibrado”, avaliou Gennady Gatilov, vice-ministro das Relações Exteriores russo, à agência “Interfax”. Gatilov acrescentou: “o principal problema é a falta de uma exigência simultânea as partes envolvidas (em conflito na Síria) para que deem passos práticos para a cessação da violência”. O diplomata russo rejeitou a possibilidade de Moscou dar sinal verde ao projeto em 12 de março na reunião ministerial no Conselho de Segurança como propuseram países ocidentais. “Não consideramos oportuno vincular a adoção do texto com qualquer classe de prazo. O fator tempo não é o mais importante para nós. O importante é conseguir um texto realista”, disse.


Foto: Rodrigo Abd / AP

José Antonio Lima

Fonte: Site do Revista Época

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