Total de visualizações de página

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Operação contra o tráfico de drogas prende acusados no Rio e em São Paulo

Investigação descobriu conexão de traficantes do Comando Vermelho com o PCC. Ação envolve promotores de Justiça e Coordenadoria de Inteligência da PM

Policiais militares no Morro do Dezoito, na zona norte do Rio: investigação descobriu conexão entre traficantes do Rio e de São Paulo, na operação Mandela

Policiais militares no Morro do Dezoito, na zona norte do Rio: investigação descobriu conexão entre traficantes do Rio e de São Paulo, na operação Mandela (Fernando Quevedo/Ag. O Globo)
Uma grande operação contra o tráfico de drogas, montada pelo Ministério Público do Estado do Rio e a Coordenadoria de Inteligência da Polícia Militar, está cumprindo, desde as primeiras horas desta quarta-feira, mandados de prisão no estado e em São Paulo. Até as 8h, 12 acusados haviam sido capturados. As acusações são de tráfico de drogas, corrupção ativa e associação para o tráfico. As buscas estão feitas nos municípios do Rio de Janeiro, Duque de Caxias, Teresópolis, Araruama, Rio das Ostras e na capital paulista. Duas pessoas foram mortas em um confronto com policiais no Rio.

A operação, batizada de Mandela, é resultado de um trabalho conjunto do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP e da Polícia Militar do Rio. Nas favelas do Jacarezinho e de Manguinhos houve troca de tiros entre policiais militares do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e traficantes. Cerca de 500 policiais participam da operação, que conta com veículos blindados, um helicóptero, cães farejadores e veículos pesados, como retroescavadeira e pá mecânica, usados para remover barreiras criadas nas favelas pelos traficantes.

Os promotores de Justiça Claudio Varela, Coordenador do GAECO, Marcelo Maurício Barbosa Arsênio, Fabio Miguel de Oliveira e Décio Luiz Alonso Gomes, que comandaram a investigação, acompanham a ação dos policiais.

De acordo com um comunicado divulgado pelo MP, as investigações começaram em novembro do ano passado em Teresópolis. Traficantes teriam tentado subornar policiais militares para que o tráfico na região não fosse reprimido. Os PMS denunciaram o caso ao Ministério Público e, com auxílio da PM, descobriu-se que a favela Mandela, um entreposto de distribuição de drogas no Rio, para abastecer vários municípios, era a origem da oferta. 

A conexão dos traficantes do Comando Vermelho (CV), no Rio, com bandidos de São Paulo, da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) se deu, segundo o MP, em razão do enfraquecimento dos bandidos que atuam em favelas cariocas depois da criação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). A maioria das favelas que receberam UPPs era controlada pelo Comando Vermelho, que perdeu chefes, armas e dinheiro. 

Com o acordo CV-PCC, drogas de São Paulo passaram a abastecer favelas do Rio (Mandela e Jacarezinho), de Teresópolis (Coreia), Rio das Ostras e Araruama, na Região dos Lagos. 

Segundo o MP, as equipes estão cumprindo 19 mandados de prisão preventiva e 20 de busca e apreensão no estado do Rio. Dois menores também foram apreendidos. Participam da operação policiais militares do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq), da Coordenadoria de Inteligência (CI), do Grupamento Aeromarítimo (GAM), do Batalhão de Ações com Cães (BAC), do Grupamento de Apoio aos Promotores (GAP), do 30º BPM (Teresópolis) e do Gaeco/SP, além de quatro Promotores de Justiça do Gaeco do MPRJ. 

Miliciano preso – Na tarde de terça-feira foi preso no Rio Fábio Nadaes Moraes, de 31 anos, um dos acusados de ser responsável pela área financeira da milícia conhecida como Liga da Justiça, que atua na zona oeste do Rio.

O suposto miliciano foi preso por policiais civis durante cumprimento de mandado de prisão pelo crime de formação de quadrilha armada, quando falava em um telefone público, perto de sua casa, no bairro Andréia, em Campo Grande, na zona oeste.

Com ele foram apreendidos 10 mil reais, um bracelete e um relógio de ouro, anotações do fornecimento clandestino de sinal de TV a cabo (gatonet) e de transporte irregular.

Segundo a polícia, a milícia Liga da Justiça, que teve início em 2007 pela zona oeste da cidade, foi desarticulada após investigações e sucessivas prisões, mas ainda há integrantes investigados e as prisões continuam. 

(Com Agência Estado)

Nenhum comentário:

Postar um comentário